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SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua

SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua O estado de São Paulo tem 4.096 crianças e adolescentes vivendo nas ruas segundo levantamen...

SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua
SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua (Foto: Reprodução)

SP tem mais de 4 mil crianças e adolescentes em situação de rua O estado de São Paulo tem 4.096 crianças e adolescentes vivendo nas ruas segundo levantamento feito pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (ObPopRua). O número representa 41% do total de crianças em situação de rua do país. No total, o Brasil contabiliza 9.976 menores nessa situação de vulnerabilidade. O dado é de julho deste ano. São Paulo desponta no levantamento devido à alta concentração demográfica, em especial na capital paulista e em municípios da região metropolitana. A cidade de São Paulo responde por 95% do total de crianças nessa situação em todo o estado — são 3.890. O movimento de migração de cidades do interior de São Paulo e outros estados do país para grandes centros urbanos, como para os municípios da Grande São Paulo, também contribui para estes números. Morador em situação de rua em Ribeirão Preto, SP Valdinei Malaguti/EPTV O fenômeno da população em situação de rua é caracterizado por ser urbano e está associado às desigualdades produzidas pelas grandes metrópoles. A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) afirmou por meio de nota que a proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade é prioridade do governo do estado. Segundo a pasta, desde o início da gestão, em 2023, a pasta repassou mais de R$ 1 bilhão às prefeituras para a assistência social, sendo R$ 219,1 milhões destinados às ações voltadas à população em situação de rua. Apesar de alto, o número de crianças em situação de rua é subnotificado, de acordo com o coordenador da rede "Criança Não é de Rua", Manoel Torquato. “Esses números apenas identificam a quantidade de pessoas que foram alcançadas pela política de assistência social”, afirma. A falta de um censo sobre a população em situação de rua dificulta a implementação de políticas públicas, segundo Torquato. “Essas pessoas precisam ser primeiramente reconhecidas nos dados oficiais para poderem existirem para as políticas públicas. Um primeiro bloco de atenção deveria ser de o Brasil ser capaz de visualizar a totalidade das pessoas em situação de rua, e não só aquelas que chegam ao sistema único de assistência social.” Brasil tem quase 10 mil crianças e adolescentes em situação de rua Reprodução/GloboNews Outros estados O estado de Roraima também registra um elevado número de crianças em situação de rua: são 3.357. A migração é o principal fator que leva o estado da região Norte a concentrar um em cada três menores que vivem nessa condição no país. "São, na verdade, migrantes venezuelanos e haitianos, que começaram essa migração há mais ou menos 10 anos e ainda continuam neste fluxo, pela circunstância política e econômica do país [Venezuela], que se agravou", explica o coordenador da rede Criança Não é de Rua. "São várias as situações que levaram os venezuelanos a ultrapassar a nossa fronteira e aí fazem fazem essa passagem pelo estado de Roraima". Na sequência, vem o estado da Bahia, com 6% do total de crianças em situação de rua no Brasil. Três estados concentram 80% das crianças e adolescentes em situação de rua do país Reprodução/GloboNews Primeira infância na rua O levantamento feito pelo ObPopRua também aponta que 44% das crianças em situação de rua hoje no país estão na primeira infância — fase que compreende dos 0 aos 6 anos de idade. A primeira infância é a fase mais importante para o desenvolvimento cognitivo e físico dos indivíduos. A exposição recorrente à violência e às inseguranças trazidas pela vida na rua, desde a física e mental até a insegurança alimentar, compromete esse desenvolvimento. Experiências vividas nos primeiros anos de vida possuem efeitos duradouros sobre a saúde, a aprendizagem e a sociabilidade dos indivíduos, podendo levar a consequências que perduram ao longo de toda a vida.