Viúva de campeão de vaquejada relembra planos do casal e cobra prisão do suspeito de homicídio: 'Mudou minha vida totalmente'
Vídeo mostra correria após campeão de vaquejada ser morto no Ceará A viúva do campeão de vaquejada Francisco Eudázio Lira Soares, o "Dadá Guedes", assas...
Vídeo mostra correria após campeão de vaquejada ser morto no Ceará A viúva do campeão de vaquejada Francisco Eudázio Lira Soares, o "Dadá Guedes", assassinado a facadas, concedeu entrevista ao g1 e relembrou os planos que o casal tinha feito antes do assassinato do marido. Ela também cobrou a prisão do suspeito, que está foragido há mais de uma semana. O crime ocorreu em Quixeramobim, no interior do Ceará, em 7 de junho. O suspeito de atacar a vítima é Darlei Teixeira Vitor, também conhecido como "Sasom Boiadeiro", de 55 anos. No dia do crime, ele fugiu de moto. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp "Mudou minha vida totalmente (o crime). Nesses seis anos (juntos), a gente sempre foi muito unido, compartilhando muita coisa, sempre era nós dois”, disse Kamila Oliveira, viúva de Dadá Guedes. Dadá Guedes e Kamila moravam na cidade de Milhã. Ela sempre acompanhava o marido nas vaquejadas. Porém, no dia do crime, precisou sair mais cedo, por conta de uma compromisso que teria no dia seguinte. "Ele era muito carinhoso, muito provedor dentro de casa. Além de ser meu marido, era meu amigo, pois a gente era muito apegado. Sempre que podia eu estava estava com ele nas corridas", falou Kamila. Kamila Oliveira, viúva de Dadá Guedes, cobra por prisão do suspeito do crime. Arquivo pessoal Segundo Kamila, desde a morte do marido, ela não conseguiu voltar a dormir onde moravam e nem retomar os atendimentos como cabeleireira. O casal planejava ter filhos no futuro. "Fui poucas vezes e não demorei na minha casa. Não tive forças para trabalhar no meu salão. Quando saio na rua volto logo para casa, pois as pessoas sempre ficam especulando as coisas. Ele sempre foi apaixonado por criança e a gente pretendia ter filhos", falou Kamila. Pedido de justiça Família de campeão de vaquejada faz ato para cobrar prisão do suspeito de assassinato No último fim de semana, Kamila e os parente de Dadá Guedes se reuniram para pedir justiça e a prisão do suspeito, que está foragido há mais de uma semana. “É uma coisa que a gente fica totalmente sem rumo, sem saber o que fazer da vida. Todo o dia eu fico no celular tentando buscar respostas para saber se ele [suspeito] vai pagar por esse crime, se a polícia vai conseguir prender ele. A gente quer justiça”, disse Kamila Oliveira. Família de Dadá Guedes fez caminhada e colocou cartazes da sede da prefeitura de Quixeramobim durante ato que pediu a prisão do suspeito do crime. Arquivo pessoal Após a missa de 7º dia da morte do vaqueiro, realizada na Igreja Matriz da cidade, o grupo saiu em caminhada até a sede da prefeitura. No trajeto, um carro de som foi usado para cobrar por justiça. Ao chegar na sede da prefeitura, os manifestantes colaram cartazes. Família contesta motivação Dadá Guedes com troféu que ganhou na vaquejada antes de ser morto. Arquivo pessoal Inicialmente, uma testemunha relatou ao g1 que o crime teria sido motivado porque o suspeito queria que Dadá Guedes dividisse com ele uma parte do valor ganho na competição, mesmo sem o suspeito integrar a equipe do vaqueiro. A vítima já havia dividido o prêmio de R$ 2 mil do 1º lugar da competição com outro competidor, ficando R$ 1 mil para cada um. No entanto, a família de Dadá Guedes contesta essa versão do interesse do suspeito no prêmio da vítima e acredita que Sasom Boiadeiro "agiu com crueldade" com outro motivo, que ainda está sendo investigado pela polícia, segundo os familiares da vítima. "Esse 'cara' não tinha nada a ver com a premiação, ele não estava correndo com o Dadá. Ele matou por pura crueldade e a gente quer justiça", disse uma parente de Dadá Gudes, que terá a identidade preservada. Conforme a organização do torneio, antes de ser morto Dadá foi à arena com os outros vencedores para receber o troféu da vaquejada. No entanto, deixou o local antes de pegar o dinheiro, que foi recebido pelo patrão para repassá-lo. LEIA TAMBÉM: Campeão agradeceu vitória horas antes de ser morto por recusar dividir prêmio; vídeo Vaqueiro foi assassinado enquanto comemorava o título, diz testemunha Quem era o campeão de vaquejada morto por recusar dividir o prêmio no Ceará Suspeito de matar campeão de vaquejada segue foragido há mais de uma semana Suspeito competiu na vaquejada Sasom Boiadeiro, à esquerda, é o suspeito de matar Dadá Guedes, à direita Reprodução Sasom Boiadeiro participou da mesma vaquejada que Dadá Guedes, mas em categoria diferente. Ele competiu no sábado (6), na categoria "Master", que reúne competidores com mais de 40 anos, mas não se classificou para a etapa final disputada no domingo. Já Dadá Guedes disputou a categoria "Aberto", que reúne vaqueiros amadores e profissionais, sem restrição de nível técnico. Outro vaqueiro, amigo da vítima, que também ficou em 1º lugar e dividiu o prêmio com ele, disse ao g1 não saber a motivação do crime e destacou que o suspeito do crime não teria direito a nenhum valor do prêmio, uma vez que sequer chegou à fase final. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), a Delegacia de Quixeramobim está a cargo das investigações sobre o caso e faz buscas para capturar o suspeito do crime. Colecionador de prêmios Dadá Guedes colecionava prêmios na vaquejada e era bastante querido no meio. Arquivo pessoal Dadá Guedes era conhecido por ser habilidoso e colecionar prêmios na vaquejada - feito que ele gostava de compartilhar em seu perfil na rede social, onde publicava vídeos e fotos mostrando os troféus. Segundo a família, ele sempre trabalhou na lida com animais e constantemente era convidado para participar das vaquejadas, seja como esteireiro (vaqueiro que conduz o animal e prepara a queda) ou puxador (responsável por derrubar o boi). "Tanto ele corria como esteirava para várias pessoas. Muitas vezes na vaquejada dos amigos ele ia dar uma ajuda ao pessoal do curral", disse a parente de Dadá que terá a identidade preservada. Da infância humilde, Dadá encontrou na vaquejada sua grande paixão e foi a partir dela que teve a oportunidade de viajar pelo Ceará e outros estados. "O que ele mais gostava era de vaquejada. Se saía da vaquejada, quando chegava em casa ficava assistindo no celular, e era nos grupos com os amigos conversando sobre as coisas de vaquejada. Ele sempre foi caseiro, mas a diversão dele era a vaquejada", disse um parente do vaqueiro ao g1. Agradecimento antes de ser morto Campeão de vaquejada agradeceu por vitória antes de ser assassinado em Quixeramobim Antes de ser assassinado nas dependências do parque de vaquejada, Dadá Guedes agradeceu pelo 1º lugar na categoria Rancho, que ele ganhou com outro competidor. "Só tenho a agradecer a Deus por tudo que tem feito na minha vida. [...] Não é fácil o cara fazer uma vaquejada dessas. Que Deus me abençoe, que dessa vez foi eu, graças a Deus", disse Dadá Guedes nos agradecimentos. No discurso, ele ainda lembrou de agradecer ao proprietário do cavalo que ele cavalgou na competição, ao tratador do animal e outros trabalhadores. Antes de encerrar, o vaqueiro ainda brincou que ia esquecendo de agradecer a esposa. "Ah, agora ia arrumar um problema grande. Esqueci de agradecer minha esposa, que estava aqui e foi embora nesse instante. Ô problema grande", brincou o campeão da vaquejada. Francisco Eudazio Lira Soares, o Dadá Guedes, de 30 anos, foi morto a facadas após ser campeão de vaquejada em Quixeramobim. Arquivo pessoal Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: